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Do lado de fora da piscina, Margarida Gomes só pensa em voltar a nadar. Aos 15 anos e um passado ligado à competição desportiva, tenta agora combater as sequelas deixadas pela covid-19.

A infeção levou-lhe a energia e a capacidade de praticar desporto, que agora procura recuperar com ajuda médica.

"Algum tempo depois de ter tido covid e de ter tido alta comecei a sentir-me cada vez mais cansada, até nas aulas de educação física, muito cansada simplesmente a subir e a descer as escadas, fico quase sem conseguir respirar", conta.

Antes de voltar à prática de exercício físico, é recomendada uma avaliação médica. Doentes com sequelas e problemas cardíacos devem ter cuidados redobrados.

Para a pneumologista Maria José Guimarães "a prática do exercício, sobretudo do exercício vigoroso, de alta intensidade não é muito segura pós-covid. Pelo menos deverá ser avaliado se o doente ficou com algum sintoma ou se ficou com algum tipo de cicatriz, ou lesão que possa vir a ter implicações na prática do exercício".

Até ao momento, não há estudos que permitam saber por que determinados sintomas se manifestam e afetam mais algumas pessoas após a infeção.

Perante a incerteza, a comunidade médica pede prudência, porque, depois da covid-19, quem corre por gosto pode mesmo cansar-se.

Outras fontes • RTP

O aumento exponencial de casos de malária em Angola impõe novos desafios na gestão da situação epidemiológica da Covid-19, disse, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda.

 

Em declarações à imprensa, no cumprimento da jornada de trabalho, disse que a superlotação que se regista nas unidades sanitárias, devido à malária, vem contrariar as medidas de prevenção e combate à pandemia da Covid-19.

Esta situação, conforme o responsável, tem obrigado os pacientes a partilhar camas nas unidades hospitalares, por insuficiência de espaços, uma realidade que contrasta com as orientações e as medidas de prevenção e contenção da gripe pelo novo Corona vírus, por comprometer o cumprimento do distanciamento físico.

Nesta conformidade, Franco Mufinda referiu que o Ministério da Saúde está preocupado com a situação, daí a razão de continuar a tomar medidas para evitar que a malária interfira, de forma negativa, no agravamento do quadro epidemiológico da Covid-19 no país.

Sustentou que estão a ser mobilizados especialistas e materiais, para contribuírem no rápido tratamento dos pacientes, assim como no reforço das medidas de prevenção da doença nas comunidades, com foco no rastreio dos doentes internados, com testes de Covid-19, para permitir o isolamento físico social exigido, sobretudo para os casos positivos.

Franco Mufinda anunciou, igualmente, a melhoria do funcionamento das unidades sanitárias da periferia, visando a diminuição do fluxo de pacientes nos hospitais de referência.

O secretário de Estado apontou, além da malária, a tuberculose como sendo outra enfermidade que carece de maior atenção na gestão de casos da Covid-19, tendo em conta o quadro epidemiológico que apresenta a nível do país.

Franco Mufinda considerou “bastante crítica” a situação epidemiológico da Covid-19 na província do Huambo, com um registo acima dos 100 casos de circulação da variante inglesa, numa altura em que tem uma taxa de mortalidade de 3.3 por cento, enquanto a nacional é de 2.2 por cento.

Esta região do Planalto Central de Angola, habitada por dois milhões, 519 mil e 309 habitantes, apresenta um quadro epidemiológico da Covid-19 com mil e 487 infecções, mil e 40 recuperados, 58 óbitos e 392 em tratamento institucional e domiciliar.  

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Rede Angolana de Organizações de Serviços de SIDA considera preocupante o número crescente de casos de HIV/SIDA em Angola. Diariamente, morrem mais de 30 pessoas com a doença. E a Covid-19 desviou as atenções do Governo.

O presidente da Rede Angolana de Organizações de Serviços de SIDA (ANASO), António Coelho, afirma que a luta contra a SIDA em Angola está a viver grandes dificuldades.

Em entrevista à DW, o responsável da ANASO lamenta que a pandemia de Covid-19, que já infetou cerca de 2 mil angolanos, tenha retirado o programa de combate ao HIV/SIDA da lista de prioridades do Governo.

Coelho diz que faltam apoios para proteção dos doentes a nível nacional, numa altura em que a ANASO regista um aumento do número de casos no país: “A situação é preocupante. Em média, 76 novas infeções estão a ser registadas diariamente. E em média há também um número elevado de mortes relacionadas com a SIDA. 36 mortes estão a ser registadas todos os dias”, revelou o presidente da ANASO.

A ANASO avança que o país tem agora mais de 350 mil pessoas portadoras do HIV, das quais mais de 200 mil estão em tratamento.

Angola é dos países com maior taxa de transmissão vertical, de acordo com António Coelho. O líder da ONG afirma que os dados sobre a doença, divulgados pelas autoridades não são reais e defende mais financiamento para o setor da saúde.

“Precisamos de ter dados credíveis e para isso precisamos de melhorar o nosso sistema de informação em saúde”, sublinha. “Temos também de aumentar o financiamento na saúde, particularmente, para a SIDA, malária e tuberculose. Deve-se perceber que, apesar da Covid-19, temos que continuar a lutar contra a SIDA, a malária e a tuberculose”, defende.

Falta de medicamentos
O país regista desde março deste ano uma rutura no ‘stock’ de antirretrovirais de primeira linha. A situação deixa vulnerável cerca de 25 mil pessoas que estão há mais de três meses sem a medicação.

Diariamente, mais de 25 portadores de HIV solicitam apoios de medicamentos à ANASO. “A situação está a gerar medo e angústia, por causa do tempo que estão sem a medicação”, afirma António Coelho.

“As informações que temos é que os antirretrovirais de segunda linha chegaram ao país na primeira semana de agosto, agora estamos a lutar para o seu desalfandegamento. Não sabemos quanto tempo vai levar, mas a verdade é que a ANASO se associa à situação das pessoas vivendo com o HIV e continua a desenvolver ações de advocacia para que os medicamentos cheguem as pessoas que precisam”, garante.

Para além da escassez de medicamentos, o coronavírus aumentou as dificuldades sociais dos doentes, que também se queixam da falta de alimentação.

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